Polícia Científica apresenta resultados de perícias sobre ônibus que tombou em Ibatiba
A Polícia Científica do Espírito Santo (PCIES), por meio da Diretoria Regional de Polícia Científica Serrana (Diserrana) e do Instituto de Criminalística (IC), apresentou, nesta terça-feira (20), durante coletiva de imprensa, os resultados das perícias realizadas no local do sinistro e no ônibus que tombou em Ibatiba, na BR-262. O caso ocorreu em 27 de setembro de 2026, resultou na morte de três pessoas e está sob investigação da Polícia Civil do Espírito Santo (PCES), que deverá considerar os apontamentos periciais na continuidade dos trabalhos.
O perito oficial-geral Carlos Alberto Dal-Cin destacou a integração entre os órgãos e explicou que a Polícia Científica realiza diferentes tipos de exames para subsidiar as investigações da Polícia Civil e o trabalho do Judiciário.
“Casos como esse envolvem a atuação integrada de diversos órgãos, como a Polícia Rodoviária Federal, o Corpo de Bombeiros, a Polícia Civil e a Polícia Científica. Essa integração também ocorre dentro da Polícia Científica, onde diferentes especialistas atuam de forma multidisciplinar na análise do caso. Neste caso, o perito responsável pelo exame do local constatou a necessidade de uma análise especializada do Departamento de Engenharia Forense para compreender por que o veículo não conseguiu frear”, explicou Dal-Cin.
O diretor da Diserrana, perito oficial criminal Nilo Bezerra, explicou que o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) forneceu rapidamente informações para subsidiar o laudo do perito responsável pelo exame do local.
“O DNIT nos forneceu a última imagem do veículo e a velocidade estimada com que ele se aproximou da curva. Essas informações corroboraram a hipótese do perito, que constatou a ausência de marcas de frenagem no local, a de que o motorista não conseguiu frear”, detalhou Bezerra.
A PCIES também realizou as necropsias das vítimas, por meio da Seção Regional de Medicina Legal (SML) de Venda Nova do Imigrante, e contou com o apoio da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) na identificação de uma delas.
O perito oficial criminal Ítalo Gomes Moreira, chefe da Seção Regional de Criminalística de Venda Nova do Imigrante, foi responsável pelo exame do local do sinistro e descreveu a dinâmica provável do acidente.
“O ônibus chegou à curva em velocidade incompatível com o trecho e tombou. Ao constatar a ausência de marcas de frenagem, suspeitei de um problema mecânico. Por isso, solicitei um exame complementar ao Departamento de Engenharia Forense da Polícia Científica”, explicou.
Durante a perícia no ônibus, o perito oficial criminal Temístocles Macedo Netto, chefe do Departamento de Engenharia Forense (DENF), constatou que o sistema de freios do eixo central — o segundo eixo — estava comprometido. Também foi identificado um pneu com desgaste excessivo.
“Nos exames periciais de engenharia, confirmamos uma falha grave na manutenção dos sistemas de segurança do veículo, especialmente no sistema de freios do segundo eixo. Isso comprometeu significativamente a capacidade de frenagem do ônibus, contribuiu para a perda de dirigibilidade e impediu a redução da velocidade antes da curva da Ferradura. O laudo de engenharia está em fase de finalização, mas identificamos falhas na manutenção e no controle da liberação do veículo. Esse ônibus saiu da garagem com deficiência no sistema de freios e não deveria ter sido liberado. A falha na frenagem impediu que o veículo reduzisse a velocidade. O problema principal foi a negligência com a manutenção”, afirmou o perito.
Macedo Netto explicou que atua em perícias de acidentes, explosões e acidentes de trabalho, entre outros casos. Segundo ele, a ausência ou a ineficiência da manutenção preventiva está frequentemente relacionada a ocorrências fatais. O perito acrescentou que o caso também é caracterizado como acidente de trabalho, com descumprimento de normas de segurança do trabalho, além de sinistro de trânsito.
O delegado Hélio Flávio Martins, titular da Delegacia de Polícia (DP) de Muniz Freire, representou a chefia da 8ª Delegacia Regional de Ibatiba durante a coletiva. Ele explicou que o inquérito apura possíveis crimes de homicídio culposo e lesão corporal culposa. A investigação aguarda os laudos da Polícia Científica para esclarecer as circunstâncias do acidente e verificar se houve falha mecânica ou violação do dever de cuidado.
“Os elementos colhidos até o momento apontam para a possibilidade de imprudência ou negligência, mas precisamos aguardar os laudos periciais para chegar a uma conclusão. A perícia de engenharia poderá esclarecer, por exemplo, se uma eventual falha no sistema de freios contribuiu para o acidente. Esses resultados também vão orientar as próximas diligências e ajudar a avaliar possíveis responsabilidades”, afirmou o delegado.
Sobre a eventual responsabilização da empresa proprietária do ônibus, Martins explicou que a oitiva de representantes será definida pelo delegado responsável pelo inquérito, conforme o andamento das apurações. A conclusão do procedimento dependerá da análise das provas periciais e dos depoimentos, que subsidiarão a decisão sobre eventuais indiciamentos e o posterior encaminhamento do caso à Justiça.
Assessoria de Comunicação da Polícia Científica (Ascom/PCIES)
Comunicação Interna – Michelle Caloni - (27) 99849-7986 / (27) 31986024
Informações à Imprensa: Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp)
Olga Samara / Matheus Foletto - (27) 3636-1536 / (27) 99846-1111 / (27) 3636-1574 / (27) 99297-8693/ comunicapces@gmail.com