A Polícia Científica do Espírito Santo (PCIES) realizou, nessa quinta-feira (11), coletiva de imprensa apresentando painéis com dados sobre sinistros de trânsito com vítimas fatais. A instituição disponibilizou um painel inédito com dados dos atendimentos periciais realizados em locais de acidentes e atualizou o Painel Pericial de Substâncias Psicoativas em Vítimas Fatais. As iniciativas têm como objetivo contribuir para a conscientização da população e subsidiar o poder público no desenvolvimento de estratégias de prevenção e segurança viária.
“A divulgação desses painéis representa um avanço na transformação do conhecimento produzido pela perícia em informação para a sociedade e para a gestão pública. Os dados permitem identificar padrões, fatores de risco e características das vítimas, oferecendo subsídios técnicos para a formulação de políticas públicas baseadas em evidências”, destacou o perito oficial-geral da Polícia Científica, Carlos Alberto Dalcin.
Novo painel: atendimentos dos locais de sinistros
O novo painel contém dados sobre os atendimentos da perícia oficial criminal a sinistros de trânsito com vítimas fatais no local. As informações incluem atendimentos por município, regionais da perícia, dia da semana e um mapa com a geolocalização dos sinistros.
De acordo com Marcelo Brandão, chefe da Seção de Perícias em Acidentes, Incêndio e Explosões (SEPAIE) e representante do órgão no Comitê Permanente de Preservação da Vida no Trânsito, com essa publicação a Polícia Científica inicia sua série histórica de dados sobre atendimentos periciais em sinistros fatais. “Esses são os casos em que há uma ou mais vítimas fatais no momento do sinistro. Iniciamos a coleta de dados em janeiro de 2025, com os atendimentos realizados pela equipe da Região Metropolitana da Grande Vitória. Já a partir de fevereiro passamos a contar também com os dados do interior. Os dados serão atualizados à medida que os locais forem atendidos pelas equipes periciais”, detalhou.
Marcelo Brandão explicou como a ferramenta pode ser utilizada na prevenção. “Por meio da geolocalização, podemos identificar locais com recorrência de sinistros fatais e verificar, nos laudos, os fatores associados a esses eventos. Por exemplo, notamos que a saída de um bairro da Cidade Pomar é realizada por muitos condutores por meio do cruzamento irregular da via. Nesse caso, colocar uma defensa de concreto evitará novas mortes”, exemplificou.
De acordo com o painel, foram contabilizados, em 2025, pelo menos 432 atendimentos periciais em sinistros de trânsito com vítima fatal no local. Desses, 117 casos (27%) ocorreram na Região Metropolitana; enquanto 315 (73%) foram registrados em municípios do interior do Estado.
Os finais de semana concentraram o maior número de ocorrências, indicando maior incidência de eventos fatais nos períodos de maior circulação e deslocamentos intermunicipais.
Cinco municípios concentram o maior número de atendimentos de sinistros com vítimas fatais no local. Em primeiro lugar está Serra, com 43 ocorrências atendidas pela perícia em 2025, seguida de Linhares (32), Vila Velha (23), São Mateus (23) e Cariacica (19).
O mapa georreferenciado evidencia a concentração de atendimentos em rodovias estaduais e federais.
Em sete municípios não houve registro de atendimento de perícia em local envolvendo vítimas fatais de sinistros de trânsito em 2025: Alfredo Chaves, Apiacá, Brejetuba, Ibitirama, Mantenópolis, São José do Calçado e Vila Pavão.
Painel atualizado: perfil toxicológico das vítimas
O painel foi atualizado com dados até 2025 e passou a incorporar novas categorias de análise.
De acordo com a perita oficial criminal Mariana Dadalto, chefe do Laboratório de Toxicologia Forense (LABTOX), a atualização ampliou significativamente as possibilidades de análise. “Agora é possível visualizar qual era o tipo de envolvimento da vítima fatal no sinistro de trânsito, identificando se ela era condutora, passageira ou pedestre. Também foram incluídas informações sobre os tipos de veículos envolvidos, como motocicletas, automóveis, caminhões, bicicletas, ônibus, tratores e trens”, pontuou.
Condutores são a maioria das vítimas fatais submetidas a exames toxicológicos
De acordo com os dados atualizados, 41,6% das vítimas fatais submetidas a exames toxicológicos apresentaram resultado positivo para alguma substância psicoativa. Entre os condutores que morreram em sinistros de trânsito, esse percentual sobe para 44%. Em ambos os grupos, predominam homens, pessoas pardas e indivíduos na faixa etária de 18 a 34 anos.
A maioria dos casos envolve condutores de veículos, seguidos por pedestres. As motocicletas aparecem como o principal veículo associado aos óbitos, seguidas pelos automóveis. Entre os tipos de ocorrência, as colisões lideram os registros.
O álcool continua sendo a principal substância identificada nas análises toxicológicas, presente em 32% dos casos positivos. Em seguida aparecem a cocaína, com 11,3%, os canabinoides, com 10,7%, e as anfetaminas, com 0,7%.
Os dados também revelam que o consumo isolado de uma única substância foi identificado em 31% dos casos, sendo o álcool a droga mais frequente nesse grupo. Já o uso combinado de substâncias apareceu em cerca de 8% das ocorrências, com destaque para a associação entre cocaína e álcool, a combinação mais encontrada.
Nesse grupo específico, os canabinoides aparecem em percentual superior ao da cocaína: 11,9% contra 9,6%, respectivamente, indicando diferenças no perfil toxicológico dos condutores envolvidos em sinistros fatais.
Os painéis foram desenvolvidos pelo Departamento de Perícias Externas (DEPEX), pelo Laboratório de Toxicologia Forense (LABTOX) e pelo Grupo de Trabalho de Inteligência de Negócios (BI) da Polícia Científica.
LINK DO PAINEL: https://pci.es.gov.br/painel-substancias-psicoativas-transito
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